terça-feira, outubro 9

Santos

Abraçados pelo cristo-rei
brindamos com uma pizza gigante e
barata, quatro patas para o ar, antenas
sintonizadas no cristo
rei da ponte que ilumina e do
saxofone que o embala à
noite, noite em que 90% dos carros
que passavam na ponte ouviam o relato
da bola (o Benfica está a
perder líquido com cada barco
que passa. Hoje é noite de
triângulos circulares circundam a
esplanada que não fica bem com o
funk, bebi um
café com cão negro que dorme
e canta o sono.

*Catarina Mendes, Emília Rebelo, Sílvio Santos

terça-feira, setembro 11

Camaradáver esquisito

É outra vez domingo, apesar do esforço do lago e dos
braços de plantas e de cravos, não os que secaram mas os que agora
nascem
outra vez, como o domingo em que pela primeira vez te senti os
braços de ternura de desiquilibrada ternura, aos

pulos.
Por trás de cada dia está o maior sonho do mundo
da criança mais pura e quatro estradas sem
fim, mas sem m, assim como ti, uma nota

inventada
por três anões sem medo - fábula dos dias
de janela aberta e dos calendários de amor,
inteiros de vidros que não podemos pisar senão faz

dói-dói
- os sonhadores também sangram - mas este dia
é demasiado azul, sem espaço para rotativas
ambulâncias a fazer ti-nó-ni. Levam as pessoas que,
em vez de cheirar, beberam

cravos,
como a fantasia se cura com as sementes de flor,
como os astros despistados e a ternura do teu traço.
Escreves flores no meu
desejo água. água para saltar. Salta camarada

Allé Allé
, se me foges todos os dias, um domingo
para quê? para quem? Se vai longe a luz blá blá

blá.
Mas para dias asssim há sempre um fim. Escolhe-
te acostas, te desmotivas. Só tento o riso, o teu, mas
sou um tanto ao quanto desajeitada.
Meu ajeito

segunda-feira, agosto 20

O rei Hula Hula esqueceu as matracas no comboio
mas caminhou até ao limite.
Uma linha de areia separa-o do mar. Canta.
E o mar dança para sua majestade.

Sentir-te a respiração no peito
a subir e descer
como uma estrela na noite
expiras a manhã de todos com milímetros de ar,
a manhã das crianças que não têm escola
e dos que acordam com uma flor no nariz.
Cheiras bem.

O rei uiva baixinho.
Observo-te a tocar a espuma,
o vento traz a melodia da tua mão.
É verão. Cheiro o amar-te.

sexta-feira, julho 20



Amanhece ao contrário no teu peito.
A lua desce devagar o degrau das nuvens,
cada camada é um compasso de tempo

O galo canta de trás para a frente
e de patas para o ar
Os vizinhos regam flores em marcha-atrás

Uma flor a florir para dentro
por fora do vaso
o canto da manhã desenha pássaros sonoros
duas asas no teu espreguiçar

sorris em compasso de tempo demorado
numa nuvem pequena
despes a noite do teu corpo
fico com a noite nas mãos enquanto te vestes

a caminhada é necessária até a atirar ao mar
no primeiro mergulho
A hipotermia é quente
estes dias nossos são um infinito de sol

por amanhecer assim
adormeço no teu ombro a sonhar com o dia.

segunda-feira, junho 4

Second Midnight


«Não há passos divergentes para quem se quer encontrar».

domingo, maio 20

"É tão bom, uma amizade assim"



Nós temos os melhores dos melhores amigos.
Gosto dos nossos amigos.
Como estes que fazem isto
e isto.

terça-feira, maio 1

O amor é como duas borboletas que estivessem
sobre uma rosa, a mais linda de todas do jardim.
O amor tem que haver.
Se não houvesse amor não havia nada bonito.
O amor são duas estrelas a brilhar, a brilhar.
A rosa e o sol são o amor.
O amor é a poesia.
O amor são dois passarinhos a construir a sua
casinha.
O amor é não haver polícias.


Inácio Cruz, no passado, aos 10 anos.