terça-feira, novembro 6
terça-feira, outubro 9
Santos
Abraçados pelo cristo-rei
brindamos com uma pizza gigante e
barata, quatro patas para o ar, antenas
sintonizadas no cristo
rei da ponte que ilumina e do
saxofone que o embala à
noite, noite em que 90% dos carros
que passavam na ponte ouviam o relato
da bola (o Benfica está a
perder líquido com cada barco
que passa. Hoje é noite de
triângulos circulares circundam a
esplanada que não fica bem com o
funk, bebi um
café com cão negro que dorme
e canta o sono.
*Catarina Mendes, Emília Rebelo, Sílvio Santos
por Sílvio Mendes à(s) terça-feira, outubro 09, 2007 0 para a meia noite
Marcadores a três
terça-feira, setembro 11
Camaradáver esquisito
É outra vez domingo, apesar do esforço do lago e dos
braços de plantas e de cravos, não os que secaram mas os que agora
nascem outra vez, como o domingo em que pela primeira vez te senti os
braços de ternura de desiquilibrada ternura, aos
pulos. Por trás de cada dia está o maior sonho do mundo
da criança mais pura e quatro estradas sem
fim, mas sem m, assim como ti, uma nota
inventada por três anões sem medo - fábula dos dias
de janela aberta e dos calendários de amor,
inteiros de vidros que não podemos pisar senão faz
dói-dói - os sonhadores também sangram - mas este dia
é demasiado azul, sem espaço para rotativas
ambulâncias a fazer ti-nó-ni. Levam as pessoas que,
em vez de cheirar, beberam
cravos, como a fantasia se cura com as sementes de flor,
como os astros despistados e a ternura do teu traço.
Escreves flores no meu
desejo água. água para saltar. Salta camarada
Allé Allé, se me foges todos os dias, um domingo
para quê? para quem? Se vai longe a luz blá blá
blá. Mas para dias asssim há sempre um fim. Escolhe-
te acostas, te desmotivas. Só tento o riso, o teu, mas
sou um tanto ao quanto desajeitada.
Meu ajeito
por Sílvio Mendes à(s) terça-feira, setembro 11, 2007 1 para a meia noite
Marcadores a dois.
segunda-feira, agosto 20
O rei Hula Hula esqueceu as matracas no comboio
mas caminhou até ao limite.
Uma linha de areia separa-o do mar. Canta.
E o mar dança para sua majestade.
Sentir-te a respiração no peito
a subir e descer
como uma estrela na noite
expiras a manhã de todos com milímetros de ar,
a manhã das crianças que não têm escola
e dos que acordam com uma flor no nariz.
Cheiras bem.
O rei uiva baixinho.
Observo-te a tocar a espuma,
o vento traz a melodia da tua mão.
É verão. Cheiro o amar-te.
por Sílvio Mendes à(s) segunda-feira, agosto 20, 2007 1 para a meia noite
sexta-feira, julho 20
A lua desce devagar o degrau das nuvens,
cada camada é um compasso de tempo
O galo canta de trás para a frente
e de patas para o ar
Os vizinhos regam flores em marcha-atrás
Uma flor a florir para dentro
por fora do vaso
o canto da manhã desenha pássaros sonoros
duas asas no teu espreguiçar
sorris em compasso de tempo demorado
numa nuvem pequena
a caminhada é necessária até a atirar ao mar
no primeiro mergulho
A hipotermia é quente
estes dias nossos são um infinito de sol
por amanhecer assim
por Sílvio Mendes à(s) sexta-feira, julho 20, 2007 0 para a meia noite



