
Chama-se espiral de sensibilidade. afunilado, perene e sem outro qualquer adjectivo.
o sal da vida é o sal da vida. Para mim. Enquanto percorro tanto em tão pouco, as luzes decidem-se
pelo opaco. Correm estores e crianças para dentro de casa. Os carros alinham-se numa conspiração silenciosa, em Marcha sobre Marcha. Desligam-se os motores e ficamos sós. Ninguém. Não há quem se atreva a. Ninguém.
Enquanto sentam, enquanto levantam, enquanto sim, enquanto não: quatro-de-uma-matilha-de-sensibilidade ensinam o oxigénio a respirar. Com amor. E uma gargalhada. E não há morte possível para esses eles-nós.
segunda-feira, junho 7
domingo, abril 18
Tertúliando a liberdade
"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
(...)
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
(...)
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!
Cantico Negro, José Régio
por Catarina à(s) domingo, abril 18, 2004 0 para a meia noite
segunda-feira, março 22
Se fosse uma palavra, não gostava de ser amor, nem liberdade, nem tempo ou borboleta.
Se fosse uma palavra gostava de ser um sim.
Daqueles ditos com um sorriso crescente, de amor, preparando-se para a liberdade.
Daqueles soltos, desafiantes do tempo. Como as borboletas.
por Catarina à(s) segunda-feira, março 22, 2004 0 para a meia noite
sexta-feira, março 12
Codificado
E as histórias que não sei contar? Seriam tantas se as encontrasse em mim. fazia um filme. usava uma caixa de sapatos para guardar charutos. e adoecia de cancro, como o meu pai.
venceu a doença.
o filme continua a preto e branco:

continua.
até que me encontre sem sono nem criatividade nos bolsos.
lá fora chove. vou na mesma.
por Sílvio Mendes à(s) sexta-feira, março 12, 2004 0 para a meia noite
domingo, março 7
Semente de ti
Os seus olhos pararam nos meus, suspensos na paredede da sala.
Com olho em estrela embalou:
- Ainda me lembro deste olhar de quem quer descobrir o mundo.
Hoje também.
O olhar continua atento. A descobrir-te.
Como o resto do mundo que fazes parar á tua volta, a sentir as ondas de encanto que multiplicas dentro de cada.
Não és fada. És a própria varinha de condão, Mar.
(Devolvo-te as palavras que, adivinho, me dirias):
- E, ás vezes, as pessoas grandes não entendem as varinhas de condão.
por Catarina à(s) domingo, março 07, 2004 0 para a meia noite
terça-feira, março 2
Amanheci
é bom ser de manhã. ser, enquanto a brisa gelada permanece os últimos segundos antes de descolar para um qualquer anoitecer. é bom Ser de manhã. Ser a própria manhã talvez não compense, ela que o diga. Ela que sempre existiu em si. Como eu não. Vou repetir: é bom. ter fome e sono desta "estranha forma de acordar que é estar pronto pra dormir". Amanheci e antes disso já a manhã existia. despertadores-dois às 7h15m. Acordei, mas antes disso a manhã já existia. é bom ser de manhã.
por Sílvio Mendes à(s) terça-feira, março 02, 2004 0 para a meia noite
quinta-feira, fevereiro 12
Tom Jobim disse:
"A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar"
O vento é livre e subtil.
E voa...
E é apaixonado pela manhã.
Quero ser vento. Tão.
por Catarina à(s) quinta-feira, fevereiro 12, 2004 0 para a meia noite
