quinta-feira, outubro 28

Poeta

- Vai!
corre o mundo
encostado
a um bordão de esperanças!

Hão-de ferir-te os pés
as pedras dos caminhos.
mas entenderás a conversa dos ninhos
e o riso das crianças.

Saúl Dias

domingo, outubro 24

Chove.

Vou pintar as paredes da minha casa de outra cor. Vou. Vou. Vôo.
Dar uma primeira-de-mão de conto, por cima da poesia.

sábado, outubro 9

Se o Verão se vai embora dos teus olhos, não estou preparada para o Inverno.
O teu olhar sorri quando a minha pupila cresce ou quando fica pequenina?

segunda-feira, setembro 27

então era isso




Ela pensava que sabia. Pensava que pensava em coisas boas e que assim podia. Pensava que nem sequer era preciso pensar nem saber porque o instinto de ser livre era mais forte, dotado de tanta força que nem os furacões se atreviam a desafiá-lo. Ela pensava e sonhava isto tudo. Sabia pensar e pensava que sonhava e sabia, sabia mesmo. Sabia tanto-com-tanta-força-que-nem-os-furacões que nunca mais foi vista noutra forma que não a de estrela-polar (às vezes com outras sem hífen, ou cauda brilhante e cadente, como o autor-criança lhe prefere chamar). Ela sonhava, pensava, sabia e voava. Mesmo.

sexta-feira, setembro 17

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.

Não conhece nem mi nem fá
mas inclina o corpo para cá e para lá.

Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.

Roda, roda, roda com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.

Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.

Cecília Meireles

sábado, julho 17

" Are you happy, happy, happy
Are you happy with your plastic smile?"

segunda-feira, junho 7




Chama-se espiral de sensibilidade. afunilado, perene e sem outro qualquer adjectivo.
o sal da vida é o sal da vida. Para mim. Enquanto percorro tanto em tão pouco, as luzes decidem-se
pelo opaco. Correm estores e crianças para dentro de casa. Os carros alinham-se numa conspiração silenciosa, em Marcha sobre Marcha. Desligam-se os motores e ficamos sós. Ninguém. Não há quem se atreva a. Ninguém.
Enquanto sentam, enquanto levantam, enquanto sim, enquanto não: quatro-de-uma-matilha-de-sensibilidade ensinam o oxigénio a respirar. Com amor. E uma gargalhada. E não há morte possível para esses eles-nós.