segunda-feira, março 22

Se fosse uma palavra, não gostava de ser amor, nem liberdade, nem tempo ou borboleta.
Se fosse uma palavra gostava de ser um sim.
Daqueles ditos com um sorriso crescente, de amor, preparando-se para a liberdade.
Daqueles soltos, desafiantes do tempo. Como as borboletas.

sexta-feira, março 12

Codificado

E as histórias que não sei contar? Seriam tantas se as encontrasse em mim. fazia um filme. usava uma caixa de sapatos para guardar charutos. e adoecia de cancro, como o meu pai.
venceu a doença.

o filme continua a preto e branco:



continua.
até que me encontre sem sono nem criatividade nos bolsos.
lá fora chove. vou na mesma.

domingo, março 7

Semente de ti

Os seus olhos pararam nos meus, suspensos na paredede da sala.
Com olho em estrela embalou:
- Ainda me lembro deste olhar de quem quer descobrir o mundo.
Hoje também.
O olhar continua atento. A descobrir-te.
Como o resto do mundo que fazes parar á tua volta, a sentir as ondas de encanto que multiplicas dentro de cada.
Não és fada. És a própria varinha de condão, Mar.
(Devolvo-te as palavras que, adivinho, me dirias):
- E, ás vezes, as pessoas grandes não entendem as varinhas de condão.

terça-feira, março 2

Amanheci

é bom ser de manhã. ser, enquanto a brisa gelada permanece os últimos segundos antes de descolar para um qualquer anoitecer. é bom Ser de manhã. Ser a própria manhã talvez não compense, ela que o diga. Ela que sempre existiu em si. Como eu não. Vou repetir: é bom. ter fome e sono desta "estranha forma de acordar que é estar pronto pra dormir". Amanheci e antes disso já a manhã existia. despertadores-dois às 7h15m. Acordei, mas antes disso a manhã já existia. é bom ser de manhã.

quinta-feira, fevereiro 12

Tom Jobim disse:

"A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar"


O vento é livre e subtil.
E voa...
E é apaixonado pela manhã.
Quero ser vento. Tão.

sábado, janeiro 31

segunda-feira, janeiro 19

Rápido e descoordenado

deve ser tão bom poder-se sorrir por estar a escrever. Gerlamente quando escrevo, apenas escrevo. Sem sorrir. É um alívio mas não de felicidade. Geralmente só uma língua de fora e papéis em branco a abarrotarem ideias por escrever´. É quando escrevo melhor.
e é tão certo ter que carregar o fardo da incomunicabilidade na minha escrita.
"Só o silêncio pode demonstrar a cumplicidade...";
"donos dos nossos silêncios e prisioneiros das nossas palavras...";
e as tardes acabam por findar todas assim, na mesma nostalgia do incomunicável.
não comunico, escrevo.
porque as minhas palavras não devem nem podem ser interpretadas.
e devem habitar a aldeia Inofensividade como se ela (e a palavra) existisse(m).

mais descoordenado do que rápido, afinal.



não abras.